Fenómeno sociologico que acho fascinante: difusão de responsabilidade.
Este tem duas vertentes que que acho interessantes:
O efeito de espectador ou Sindrome de Genovese: Baseia-se no seguinte facto: numa situação que coloque em perigo um individuo, quanto maior o numero de testemunhas, menor a probabilidade de alguma delas intervir. Isto foi comprovado por várias experiencias, numa delas era colocado um voluntário isolado num quarto e era lhe dito que haviam outros voluntários em quartos adjacentes que comunicariam com ele por altifalantes. Na verdade o voluntário em questão estava sozinho, as vozes nos altifalantes eram gravações. Deste modo os responsaveis pela experiencia poderiam variar o nº de supostos voluntários que o verdadeiro voluntário percepcionava.
Numa das gravações, a dada altura era dado a perceber ao voluntário que uma das outras supostas pessoas tinha um enfarte. Quando a cobaia pensava estar sozinha com o homem que tinha o enfarte, em 100% dos casos esta interveio de alguma forma. Mas à medida que eram percepcionados mais sujeitos esta percentagem foi decrescendo, até que a partir dos 8 sujeitos percepcionados, muitas das cobaias nem sequer avisaram os responsaveis da experiencia acerca do sucedido.
Este fenomeno tem o nome de Sindrome Genovese, devido ao homícidio de Kitty Genovese em Queens, Nova Iorque. Kitty Genovese foi assassinada as 3 da manha a escassos metros da porta da sua casa. Foi esfaqueada e violada num ataque que demorou à volta de meia hora, várias pessoas ouviram gritos, e houve até quem testemunhasse o sucedido, no entanto ninguem interviu, e a policia só foi chamada depois do ataque ser consumado. Mais tarde foram interrogadas pelo menos 12 pessoas que testemunharam total ou parcialmente o sucedido.
Banalização do mal: Esta expressão descreve bem a tese que postula que as grandes atrocidades contra a humanidade cometidas em conjunto por sociedades inteiras(como o holocausto), não são responsabilidade de fanáticos ou sociopatas megalómanos, mas sim de pessoas normais que levaram a cabo as permissas por eles sugeridas como se fossem perfeitamente normais, ilibando-se de qualquer tipo de responsabilidade, escondendo-se atrás do facto de estarem apenas a cumprir ordens. Após a que da alemanha nazi , durante os julgamentos na nuremberga, a frase mais ouvida foi "não foi minha responsabilidade, eu apenas seguia ordens". No caso da população civil todos diziam ser contra o regime embora ninguem se tivesse manifestado contra ele. Era dito em tom sarcástico entre as tropas aliadas que os alemães nazis eram um mito, porque assim que a guerra acabou, todos se referiam a si próprios como sendo "bons alemães".
A pergunta é: Até que ponto somos animais sociais? É verdade que só nos sentimos bem a viver em sociedade, mas é um facto que quanto maior for o grupo de pessoas maior a deterioração do seu caracter. A globalização nos dias que correm é um facto real, e a densa urbanização faz com que certas áreas tenham densidades populacionais extraordináriamente elevadas. Até que ponto será bom termos tanta gente à nossa volta?
domingo, 27 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
Pergunta 3: Como é que conseguimos não nos importar?
Simplesmente não nos importamos. Vivemos numa era marcada pelo aquecimento global, iminência de uma 2ª era glaciar (alguém pode- me explicar como é que estas 2 se podem conjugar sequer) pela quase depleção dos recursos naturais da Terra, fome, secas, guerras que parecem intermináveis, sombra de conflito nuclear, terrorismo, criminalidade elevada, brutalidade policial banalizada, poluição, extinção constante de espécies, o facto de haverem sitios em que o gadotem uma melhor alimentação do que pessoas noutros, etc.
A questão é: Como é que conseguimos viver as nossas vidas só nos importando com estes factores quando ouvimos falar deles no telejornal?
Todos os dias passamos o nosso tempo preocupados com isto ou aquilo que aconteceu no emprego ou na escola ou seja o que for. Não digo que não sejam coisas importantes, mas a sua relevância é (ou pelo menos devia ser) menor quando comparadas com coisas como cataclismo iminente.
Talvez esteja no nosso código genético preocuparmo-nos com coisa pequenas enquanto tudo o resto se desmorona. É provável. É provável que a indiferença seja muito pior que a maícia, o que faz de nós provavelmente a pior praga que a terra já viu. É provável.
A questão é: Como é que conseguimos viver as nossas vidas só nos importando com estes factores quando ouvimos falar deles no telejornal?
Todos os dias passamos o nosso tempo preocupados com isto ou aquilo que aconteceu no emprego ou na escola ou seja o que for. Não digo que não sejam coisas importantes, mas a sua relevância é (ou pelo menos devia ser) menor quando comparadas com coisas como cataclismo iminente.
Talvez esteja no nosso código genético preocuparmo-nos com coisa pequenas enquanto tudo o resto se desmorona. É provável. É provável que a indiferença seja muito pior que a maícia, o que faz de nós provavelmente a pior praga que a terra já viu. É provável.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Pergunta 2- Porque que a victória é importante?
Porque é que ganhar vantagem sobre os outros que estiverem na mesma condição é tão importante para os seres humanos?
O objectivo da maioria das pessoas é ultrapassar ou pelo menos demonstrar- se melhor em algo do que um individuo ou um grupo de individuos. Poderia dizer-se que é uma questão de subsistência já que quem tiver um melhor desempenho supostamente será recompensado nessa medida (embora isto não seja sempre verificado, a verdade é que lógicamente um bom desempenho melhora em muito as possibilidades de recompensa), poderia dizer-se então que a necessidade victória seria algo que nos tinha acompanhado desde os tempos primitivos em que as disputas territoriais seriam necessárias por razões tão simples como expandir o terreno de caça, etc..
Busílis da questão é, o ser humano não compete apenas por razões de subsistência, há uma constante necessidade de afirmação como o melhor ou um dos melhores em seja o que for.
Ao contrário dos restantes animais que competem por necessidade o ser humano tem gosto pela competição. Terá uma razão quimica? Será que se liberta uma torrente de endorfinas no nosso cerebro aquando do triunfo? Ou será que simplesmente precisamos de provar por "A+B" que somos melhores que outro(s) para mantermos a nossa autoconfiança?
O objectivo da maioria das pessoas é ultrapassar ou pelo menos demonstrar- se melhor em algo do que um individuo ou um grupo de individuos. Poderia dizer-se que é uma questão de subsistência já que quem tiver um melhor desempenho supostamente será recompensado nessa medida (embora isto não seja sempre verificado, a verdade é que lógicamente um bom desempenho melhora em muito as possibilidades de recompensa), poderia dizer-se então que a necessidade victória seria algo que nos tinha acompanhado desde os tempos primitivos em que as disputas territoriais seriam necessárias por razões tão simples como expandir o terreno de caça, etc..
Busílis da questão é, o ser humano não compete apenas por razões de subsistência, há uma constante necessidade de afirmação como o melhor ou um dos melhores em seja o que for.
Ao contrário dos restantes animais que competem por necessidade o ser humano tem gosto pela competição. Terá uma razão quimica? Será que se liberta uma torrente de endorfinas no nosso cerebro aquando do triunfo? Ou será que simplesmente precisamos de provar por "A+B" que somos melhores que outro(s) para mantermos a nossa autoconfiança?
domingo, 6 de janeiro de 2008
Pergunta 1 - Como é que se conhece alguém sem ser pessoalmente?
(Não este blog não tem um primeiro post introdutório em que explico o como, o quando e o porquê da sua criação)
Um fenómeno que não diria que está em expansão mas sim perfeitamente instalado pelo menos nas camadas mais jovens ( compreendendo desde os 13 aos 25 anos) são os dating, aliás não tanto os dating sites (esses sim preferidos pelas faxas etárias mais velhas), mas sim os sites de matchmaking ou friendfinding ( como o amplamente utilizado em portugal, hi5). A questão é a seguinte: Será que tomar a iniciativa de de se aproximar de alguém simplesmente com base numa descrição, e num conjunto de fotografias não rebaixa grandemente o acto social de conhecer e dar-se a conhecer como acto espontâneo entre 2 pessoas?
Na minha opinião com a criação do elo cibernético entre as pessoas a uni-las desta forma, o que se ganha em proximidade entre pessoas que talvez de outro modo não tivessem qualquer contacto uma com a outra, perde se no "calor humano" que supostamente deve haver em relações interpessoais, perde se a noção da reacção que as nossas acções causam na pessoa em questão (isto é claro igualmente válido para as "amizades de msn/icq/ym/aolm/etc...") e ao chegar a essa conclusão pergunto-me se não será essa tanto a base como o a grande motivação para uma relação seja ela de que tipo for. Na minha opinião não há nada mais desnorteante do que conversar com alguém que nunca tenha conhecido pessoalmente quer seja em algum messenger ou mirc ou algum desses sites. Acho que o problema é que naturalmente como animais sociais que somos desenvolvemos (ainda que subtilmente) um código de conduta que varia para cada tipo de relação, e o meu caso o código de conduta para relações iniciadas de modo tão frio e impessoal como o cibernético passa-me completamente ao lado.
Um fenómeno que não diria que está em expansão mas sim perfeitamente instalado pelo menos nas camadas mais jovens ( compreendendo desde os 13 aos 25 anos) são os dating, aliás não tanto os dating sites (esses sim preferidos pelas faxas etárias mais velhas), mas sim os sites de matchmaking ou friendfinding ( como o amplamente utilizado em portugal, hi5). A questão é a seguinte: Será que tomar a iniciativa de de se aproximar de alguém simplesmente com base numa descrição, e num conjunto de fotografias não rebaixa grandemente o acto social de conhecer e dar-se a conhecer como acto espontâneo entre 2 pessoas?
Na minha opinião com a criação do elo cibernético entre as pessoas a uni-las desta forma, o que se ganha em proximidade entre pessoas que talvez de outro modo não tivessem qualquer contacto uma com a outra, perde se no "calor humano" que supostamente deve haver em relações interpessoais, perde se a noção da reacção que as nossas acções causam na pessoa em questão (isto é claro igualmente válido para as "amizades de msn/icq/ym/aolm/etc...") e ao chegar a essa conclusão pergunto-me se não será essa tanto a base como o a grande motivação para uma relação seja ela de que tipo for. Na minha opinião não há nada mais desnorteante do que conversar com alguém que nunca tenha conhecido pessoalmente quer seja em algum messenger ou mirc ou algum desses sites. Acho que o problema é que naturalmente como animais sociais que somos desenvolvemos (ainda que subtilmente) um código de conduta que varia para cada tipo de relação, e o meu caso o código de conduta para relações iniciadas de modo tão frio e impessoal como o cibernético passa-me completamente ao lado.
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