domingo, 27 de julho de 2008

Pergunta 4: Responsabilidade...difusa?

Fenómeno sociologico que acho fascinante: difusão de responsabilidade.
Este tem duas vertentes que que acho interessantes:
O efeito de espectador ou Sindrome de Genovese: Baseia-se no seguinte facto: numa situação que coloque em perigo um individuo, quanto maior o numero de testemunhas, menor a probabilidade de alguma delas intervir. Isto foi comprovado por várias experiencias, numa delas era colocado um voluntário isolado num quarto e era lhe dito que haviam outros voluntários em quartos adjacentes que comunicariam com ele por altifalantes. Na verdade o voluntário em questão estava sozinho, as vozes nos altifalantes eram gravações. Deste modo os responsaveis pela experiencia poderiam variar o nº de supostos voluntários que o verdadeiro voluntário percepcionava.
Numa das gravações, a dada altura era dado a perceber ao voluntário que uma das outras supostas pessoas tinha um enfarte. Quando a cobaia pensava estar sozinha com o homem que tinha o enfarte, em 100% dos casos esta interveio de alguma forma. Mas à medida que eram percepcionados mais sujeitos esta percentagem foi decrescendo, até que a partir dos 8 sujeitos percepcionados, muitas das cobaias nem sequer avisaram os responsaveis da experiencia acerca do sucedido.
Este fenomeno tem o nome de Sindrome Genovese, devido ao homícidio de Kitty Genovese em Queens, Nova Iorque. Kitty Genovese foi assassinada as 3 da manha a escassos metros da porta da sua casa. Foi esfaqueada e violada num ataque que demorou à volta de meia hora, várias pessoas ouviram gritos, e houve até quem testemunhasse o sucedido, no entanto ninguem interviu, e a policia só foi chamada depois do ataque ser consumado. Mais tarde foram interrogadas pelo menos 12 pessoas que testemunharam total ou parcialmente o sucedido.

Banalização do mal: Esta expressão descreve bem a tese que postula que as grandes atrocidades contra a humanidade cometidas em conjunto por sociedades inteiras(como o holocausto), não são responsabilidade de fanáticos ou sociopatas megalómanos, mas sim de pessoas normais que levaram a cabo as permissas por eles sugeridas como se fossem perfeitamente normais, ilibando-se de qualquer tipo de responsabilidade, escondendo-se atrás do facto de estarem apenas a cumprir ordens. Após a que da alemanha nazi , durante os julgamentos na nuremberga, a frase mais ouvida foi "não foi minha responsabilidade, eu apenas seguia ordens". No caso da população civil todos diziam ser contra o regime embora ninguem se tivesse manifestado contra ele. Era dito em tom sarcástico entre as tropas aliadas que os alemães nazis eram um mito, porque assim que a guerra acabou, todos se referiam a si próprios como sendo "bons alemães".

A pergunta é: Até que ponto somos animais sociais? É verdade que só nos sentimos bem a viver em sociedade, mas é um facto que quanto maior for o grupo de pessoas maior a deterioração do seu caracter. A globalização nos dias que correm é um facto real, e a densa urbanização faz com que certas áreas tenham densidades populacionais extraordináriamente elevadas. Até que ponto será bom termos tanta gente à nossa volta?

sábado, 5 de julho de 2008

Pergunta 3: Como é que conseguimos não nos importar?

Simplesmente não nos importamos. Vivemos numa era marcada pelo aquecimento global, iminência de uma 2ª era glaciar (alguém pode- me explicar como é que estas 2 se podem conjugar sequer) pela quase depleção dos recursos naturais da Terra, fome, secas, guerras que parecem intermináveis, sombra de conflito nuclear, terrorismo, criminalidade elevada, brutalidade policial banalizada, poluição, extinção constante de espécies, o facto de haverem sitios em que o gadotem uma melhor alimentação do que pessoas noutros, etc.
A questão é: Como é que conseguimos viver as nossas vidas só nos importando com estes factores quando ouvimos falar deles no telejornal?
Todos os dias passamos o nosso tempo preocupados com isto ou aquilo que aconteceu no emprego ou na escola ou seja o que for. Não digo que não sejam coisas importantes, mas a sua relevância é (ou pelo menos devia ser) menor quando comparadas com coisas como cataclismo iminente.
Talvez esteja no nosso código genético preocuparmo-nos com coisa pequenas enquanto tudo o resto se desmorona. É provável. É provável que a indiferença seja muito pior que a maícia, o que faz de nós provavelmente a pior praga que a terra já viu. É provável.